quarta-feira, 26 de Março de 2008

Entrevista à ENERAC (Sr. Virgílio Ferreira)


1) Como surgiu este projecto?

Como as energias renováveis, hoje em dia, são uma área emergente, é uma necessidade absoluta para a comunidade recorrer a estas para substituir as energias fósseis, antes de mais, por uma questão ambiental pois as energias fósseis são, entre outros, grandes libertadores de CO2 e o CO2 é uma enorme problema no efeito de estufa.
No nosso ponto de vista, é uma questão de sobrevivência porque se continuarmos a consumir combustíveis fósseis, as alterações climáticas serão de tal ordem que as dificuldades de sobreviver neste planeta serão enormes.
A problemática do abastecimento dos combustíveis fósseis é o facto de que as reservas de petróleo serem cada vez menores e ao mesmo tempo essas reservas estarem situadas em zonas geopolíticas controversas como é o caso do Médio Oriente que tem um ambiente político muito instável. Assim, a necessidade de energias renováveis é evidente, por isso, a nossa empresa embarcou nesta ideia. E nós temos uma perspectiva muitíssimo ecológica.
A nossa empresa surgiu de uma junção de gerações, a do pai que tinha alguma experiência em gestão com a experiência do filho de âmbito mais técnico.

2) Há muita gente interessada em adquirir este tipo de energia?

Sim. Demorou muito tempo às pessoas interiorizarem toda esta problemática. Mas, hoje, por força dos media que estão a fazer uma campanha imensa. Acho que a generalidade da população minimamente educada deste país está consciente da necessidade de fazer instalações de energias renováveis, sendo elas quais forem, sendo que, obviamente, hoje as mais fáceis são as chamadas energia térmica solar.
Para além de haver gente interessada, hoje em dia, também existe legislação desde Junho de 2006 que obriga que todas as novas moradias, ou prédios de qualquer tipo, serem obrigados a instalar uma determinada quantidade de painéis solares.

3) As instalações deste tipo de energias são muito complexas? E os orçamentos são elevados?

Tudo depende das instalações. Se estivermos a falar de energia térmica solar numa moradia é efectivamente uma instalação muito pouco complexa, muito simples e relativamente barata. Se estivermos a pensar em energia hídrica, numa central hídrica, obviamente é muito mais complexa ou, por exemplo, um parque eólico, também tem muita complexidade.
Vou fugir um pouco à entrevista para vos mostrar alguns pontos que me parecem interessantes, por exemplo, neste momento, em Portugal, existe um forte investimento na área da energia eólica, inclusivamente há uma empresa alemã que está a instalar aqui, o que se chama em gestão, um cluster, isto é, um grupo de empresas que são complementares entre si. Essa empresa está a construir um conjunto de fábricas, na zona de Viana, para produzirem aerogeradores: as torres, as ventoinhas, as pás, tudo o que está relacionado. Quer para instalar em Portugal, quer para exportar.
No caso da energia eólica, a complexidade está envolvida com o tamanho, a própria instalação das torres é muito complicada, para levar os aerogeradores para os montes é necessário abrir caminhos, todo um sistema de transportar...
Há uma aposta fortíssima do governo português concretamente, e começamos a ser um dos grandes produtores de energia eólica da Europa e isto tem um aspecto interessante, é que a energia eólica é um tipo de energia que não é acumulável, ou melhor, é acumulável mas é produzida em determinados momentos que, às vezes, não há necessidade de consumir. Só produzo energia eólica quando há vento e às vezes há vento quando não necessito de energia. Então, coloca-se o problema: o que fazer à energia do vento que produzo mas não consumo? Construindo barragens!
Lançaram agora um concurso para construir uma série de barragens, barragens essas que servem para produzir energia hídrica. Mas como é que produzindo energia hídrica, vou utilizar barragens para guardar energia eólica? A energia produzida é sempre hídrica, simplesmente, quando estou a produzir energia eólica que não preciso, em vez de deitar fora, vou utilizar essa energia para bombear, para trazer a água que está em baixo para cima. Chamam-se barragens reversíveis. Neste caso, a instalação é complexa, mas há outros tipos de energia, como a biomassa. É uma das áreas que em Portugal se está a desenvolver e nós (empresa) estamos muito interessados.
A diferença da biomassa para a eólica é que a eólica só produz energia quando há vento, enquanto que a biomassa, posso utilizar onde quiser, é mais descentralizada, pode ser usada quando queremos. Também a hídrica é limitada, só produzimos energia quando há água.
A complexidade das instalações da biomassa depende do tipo de instalação. Posso utilizar apenas para aquecimento, mas também posso produzir electricidade. Utilizando a biomassa para aquecer água e daí produzir energia eléctrica.
Há um professor em Portugal que diz: “o complemento da eficiência energética é a poluição”. Por exemplo, se eu tiver 1kl de biomassa e tentar tirar energia desse tipo se fizer energia eléctrica, eu provavelmente tenho uma eficiência por volta dos 28%, como o complementar de 28% é 72%, significa que 72% será poluição. Se utilizarmos a biomassa para aquecimento temos uma eficiência de 50%. O mais eficaz é tentar fazer calor e electricidade. Aproveito 50% de calor e 28% de electricidade, então aproveito 78%.
O maior nível de eficiência energética é feita com a cogeração, isto é a produção simultânea de calor e electricidade. Estas são instalações mais complexas e mais caras.

4) Qual é a área de Portugal em que a sua empresa faz instalações? Quais as áreas que se destacam?

Norte de Portugal: Braga, Viana... Para já é apenas pelo Norte. Somos uma empresa relativamente jovem.
No estrangeiro ainda não, mas iremos fazer na Galiza, para já é só.

5) Fazem instalações no estrangeiro? Vendem mais do que em Portugal? Quais as áreas que se destacam?

Sabem que sempre que vem um produto novo, quem compra primeiro, o pioneiro, é sempre um indivíduo com formação e com capacidade económica para puder correr o risco de ser o pioneiro. Ao ser pioneiro vai experimentar e aí pode perder e precisa de capacidade monetária para arriscar.
Neste momento ainda estamos na fase de um certo pioneirismo, assim, quem compra são as pessoas com uma classe média alta. Mas, por outro lado, como o Estado obriga é evidente que a distinção do extracto económico não se nota.
Quem compra é a classe média alta, embora com uma tendência aceleradíssima para estar vulgarizado.

6) Qual o nível económico das pessoas que mostram interesse em adquirir energias? E as que adquirem?

A percentagem irá crescer imenso, neste momento é imensurável. Na Grécia, um painel solar tem aproximadamente 2m2, aquilo que a legislação obriga é que por cada pessoa deve haver o equivalente a 1m2. Na Alemanha por cada 20 pessoas há 1m2. Em Portugal, nem 200 pessoas por 1m2.
Como somos um país com muito sol, estou convencido que em meia dúzia de anos isto vai virar tudo, excepto nas habitações que já estão feitas. Aí é mais complicado.

7) Qual a percentagem aproximada das pessoas que adquirem?


Neste momento, até aqui, os particulares são os pioneiros, daqui para a frente irão ser as empresas e os serviços.

8) Quem adquire mais, as empresas ou os particulares?

Relativamente ao consumidor: com os custos de exploração gasta-se menos energia; a factura de energia é mais pequena e ao fim de x tempo este investimento está pago e a partir daí tem uma parte de borla.
Ao ambiente: não libertamos CO2 e outros gases do efeito de estufa.

9) Quais os benefícios deste tipo de energia relativamente ao consumidor e ao ambiente?


Já respondi anteriormente a esta questão, em termos económicos. E toda a gente sabe os benefícios que este tipo de energias traz ao ambiente.

10) Como se encontra Portugal relativamente aos países que são adeptos da energia solar?

Estas coisas não podem ter uma visão estática, de repente as coisas virão. Nós, relativamente, às energias, vamos desenvolver-nos a uma velocidade impressionante. Dentro da Europa, Portugal tem uma situação privilegiadíssima porque a energia solar tem a ver com a chamada insolação - quantidade de sol. Nós estamos no sul da Europa, temos muitas horas de horas, temos mais de 2000 horas de sol por ano, enquanto que a Alemanha tem 1000.

11) O governo apoia financeiramente as pessoas que adquirem?

Apoia, então a partir deste orçamento de 2008 - orçamento de Estado - deduz à volta de 750€, que já é um valor interessante. Se bem que em Espanha, o apoio é maior. Nós estamos a falar de energia solar térmica para aquecimento de águas quentes - águas quentes sanitárias - e aí é importante que o problema do ambiente não é só CO2, também +e falta de água, e quando estamos a lavar os dentes e não fechamos a torneira, estamos a gastar água e quando tomamos banho, curiosamente, podemos poupar imenso: um chuveiro em média debita 18 litros por minutos, se quisermos tomar banho de água quente aquecemos 18 litros de água por minuto, se eu utilizasse redutores de caudal - que modifica a bolha de água - sou capaz só de gastar 10 litros, ou seja, eu gasto menos energia nessa proporção. Em Portugal, ainda não interiorizamos muito isso.

12) Já contactaram clientes com este tipo instalação há algum tempo, no sentido de se inteirarem da (in)satisfação dos mesmos relativamente ao serviço?

Já. E de uma maneira geral, nós temos questão de fazer um bom serviço. No caso da energia solar térmica, os painéis que vendemos têm um certificado, um carimbo de certificação europeia que se chamar Solar Keymark.

13) Importa mais materiais de energia solar do que exporta?

Importamos tudo, porque somos pequenos não temos capacidade de produção. E nestas coisas funciona uma coisa que se chama economias de escala e portanto nós trabalhamos com a maior fábrica da Europa e como tal, como ela é muito grande, tem muito dinheiro para fazer investigação, tem boa tecnologia e nós preferimos uma boa tecnologia porque estamos num mercado alargado, num mercado comum.

Entrevista à DERN (Sr. António Cardoso)


1) Como surgiu este projecto?

Isto já surgiu há muitos anos. Isto começou por mim e eu tenho uma formação electromecânica e portanto nunca exerci essa área, mas foi uma área em que tive sempre à vontade com tudo isto. Trabalhei na têxtil, quando a têxtil começou a entrar em crise afastei-me da têxtil e iniciei este tipo de actividade juntamente com o meu filho, na altura ainda estava a estudar, dava-me mais apoio na parte técnica, económica, contabilista e organização interna. Eu comecei a frequentar feiras, comecei a inserir-me em tudo isto, porque apesar da minha formação electromecânica, isto é uma formação muito específica, de forma que começamos a arranjar informação específica e começamos a criar o projecto. Nós começamos já faz 3 anos em Fevereiro deste ano e inicialmente pensamos em envergar pela Domótica, achávamos que era uma área interessante, uma área a desenvolver, a explorar, mas chegamos à conclusão, rapidamente, que a Domótica é uma área demasiado elitista. Na Domótica pura há pouca gente, mas na Domótica pura há pouca clientela para isso, porque é isso é supérfluo, dará conforto. A Domótica tem muitas vantagens em termos de conforto, controlar uma casa, mas isso é economicamente desvalorizado pelas pessoas. Mas a maior parte das pessoas não está muito preocupada, quando aprendem Domótica - a Domótica é um pouco mais evoluída - começam a não saber usá-la. E isto é quase como os computadores e como os telemóveis que têm milhares de funções e nós no dia-a-dia usamos meia dúzia e nada mais, e a Domótica é exactamente isso, e quando as pessoas começam a entrar em funções - nas quais não estão à vontade - começam a baralhar tudo, vão pedir assistência e começam a dizer que não funciona, quando não é verdade, porque as pessoas não sabem usar isso. Portanto, começamos a secundarizar a Domótica e envergar pelas energias renováveis, até porque é um mercado emergente, fala-se muito, é actual, é oportuno, é bom para todos, para os novos e para os vindouros e começamos, realmente, a entrar forte nisso. Portanto, o projecto começou por aí, começamos pelas feiras, a fazer contactos com fornecedores, já há vários aqui no mercado, mas não há assim tanta oferta e não há fundamentalmente qualidade, há alguma mas não há muita qualidade. Tiramos cursos de especialização, quer eu, quer o meu filho, quer mais outro funcionário que temos. Estamos preparados para fazer esse tipo de instalações, frequentamos cursos em Lisboa do ENEQ, portanto estamos preparados para dar todo o tipo de assistência a todo o tipo de montagem. Também é uma área que começa a ser hoje já muito falada e despertar muitos interesses e portanto a montagem começa a ser um bocado complicada, porque hoje um canalizador, hoje um electricista está à vontade para montar isso, pode não estar preparado tecnicamente, pelo menos não ter formação especifica para isso, mas hoje isto a maior parte dos sistemas vendem-se em kits, os kits são fáceis de montar, mas tem grande técnica, desde que siga algumas regras elementares e não se invente nada, isto é uma montagem acessível a um técnico responsável. De forma, como começamos a notar também alguma concorrência nesta área, começamos a entrar pela comercialização. Nós hoje basicamente comercializamos e instalamos aquilo que não se consegue que a instale, procuramos vender e instalar. Isto foi o início do projecto. Entretanto, como a outra empresa com quem estávamos a trabalhar nisto - também ligada à imobiliária , notávamos alguma retracção, pelo menos quando falávamos com empreiteiros, com construtores, com promotadores imobiliários que julgávamos mais um concorrente do que um prestador de serviços. Foi quando surgiu a ideia de formarmos uma empresa especificamente para esta área, como estava eu e o meu filho já a trabalhar nisto, entrou a minha filha, que entretanto acabou o seu curso e fizemos a empresa, que está no nome deles, que são os donos da empresa. A DERN surgiu no final do ano 2006 passando, por razão estratégicas, a trabalhar em 2007. Portanto foi uma continuação de uma sequência da outra empresa que já existia e com quem estávamos a trabalhar.

2) Há muita gente interessada em adquirir este tipo de energia?

Toda gente está interessada em adquirir este tipo de equipamentos. Só que estamos numa área que as pessoas não só pela falta de dinheiro como é uma zona onde domina a classe média/baixa, ou seja, constituída basicamente por famílias que não têm recursos. Toda a gente gosta de poupar, toda a gente estaria interessada em montar isto, só quando se fala 2000/2500/3000/3500€ as pessoas começam a pensar duas vezes, porque não têm esse dinheiro, muitas vezes, para investir. Por conseguinte, apensar de saber que há muita gente interessada, não instalam por esse facto. Em cada cem propostas que recebemos, 10/15% é que terão transformado em negócios. Isto é um negócio em que é preciso trabalhar muito para depois aproveitarmos cerca de 10/15%, no máximo. Eu vejo que há muita gente interessada nisso, mas não tem reflexo em termos de facturação desse interesse na empresa.

3) Tem conhecimento de projectos que englobem a instalação de Domótica e Energias Renováveis na cidade de Barcelos?

As pessoas de Barcelos ainda têm a mentalidade de que o que é de fora é bom. Contudo, os de Barcelos são os preferidos em relação os de fora, não pela qualidade, não pelo produto mas simplesmente porque são de fora. Presumo que também não tenhamos feito um serviço de divulgação muito forte, até porque o nosso website ainda se encontra em construção. Mas também temos tanto serviço fora de Barcelos que também acabamos por não puder deitar as mãos a tudo. As terras onde trabalhamos são, basicamente, braga, temos alguns em Barcelos, Viana do Castelo, Esposende, Póvoa, Ponte de Lima, porto. Aqui em Barcelos, as coisas não têm a força, o impacto que gostaríamos que tivesse. Não temos simultaneamente um projecto em que tenha a instalação de Domótica e de Energias Renováveis. Temos um em Esposende que engloba os dois, sendo esta uma empresa promotora imobiliária.

4) Executam instalações do sistema em causa noutras cidades, para além da nossa?

Na pergunta anterior já referi as regiões em que estamos a trabalhar. Basicamente trabalhamos fora.

5) Qual a região que se destaca?

É a de Braga que mais se destaca, onde temos feito mais instalações.

6) Qual o nível económico das pessoas que mostram interesse em adquirir as energias e as que adquirem?

Com as nossas regras é obrigatória, todo o tipo de construção tem que levar energias renováveis, os painéis solares térmicos - aquecimento de águas quentes sanitárias (AQS). Toda a gente, independentemente do seu estatuto económico, sempre que faz uma construção ou renovação numa casa, terá que aplicar este equipamento. Independentemente desta obrigatoriedade, há muita gente que está interessada, mas eu diria que é uma classe média que tem mostrado mais interesse em adquirir isto, principalmente por uma razão económica, não por interesse ou por valorizar isto.

7) Qual a percentagem?

Não é fácil falar em percentagens o que cada um gasta, o que cada um tem. Mas por aquilo nós vemos, eu creio que a percentagem maior em relação às pessoas que não são obrigadas a instalar isso, a classe média estará numa percentagem elevadíssima, à volta dos 80/90%. E quando falo em classe média, estou a falar num funcionário, num empregado por conta de outrem, num pequeno comerciante ou então num empresário.

8) Quem adquire mais? As empresas ou os particulares?

Neste momento são as empresas. As empresas estão a adquirir mais. E estão a faze-lo por obrigatoriedade da lei, a lei obriga-os a adquirir e eles têm que o fazer. Neste momento, temos um grande projecto em Gamil, que são 60 vivendas, estamos a instalar em 60 vivendas, são obrigados a implementar, ganhamos o concurso e estamos a trabalhar nisso. Agora o grande mercado é as empresas, não descurando os particulares. As empresas construtoras ou promotoras imobiliárias.

9) As instalações deste tipo de energias são muito complexas? E os orçamentos são elevados?

Há vários níveis de instalações e vários níveis de complexidade - ou não - da montagem e dos orçamentos. Aquilo que é obrigatório hoje, que é as águas quentes sanitárias, hoje, há kits e é muito fácil montar. Quando sairmos desta obrigatoriedade e começarmos a pensar em aquecimento central, aquecimento de piscinas, começarmos a pensar em orçamentos de grandes empreendimentos, então aí sim, isso já é engenharia, são coisas já complexas que não há muitas empresas especializadas nisso, aí já conseguimos ultrapassar algumas empresas que trabalham connosco cá em Barcelos. Os orçamentos vão desde 2000 a 200.000€. há orçamentos que são para todos os gostos, depende, assim, do projecto, quando falamos em piscinas municipais, por exemplo, também estamos a entrar nessa área, são projectos sempre para os 100.000/200.000€, são orçamentos muitos grandes. Mas acabam por ser rentabilizados ao longo do tempo, e esses, muitas vezes, mais rápido do que outros.

10) Quais os benefícios deste tipo de energias relativamente ao consumidor e ao ambiente?

Quanto ao ambiente, creio que os benefícios são públicos, isto tem todas as vantagens que queiram associar a isto, este tipos de energias são completamente inóquas ao ambiente, inóquoas em relação a sua produção de energia. Contudo, no caso da energia eólica, por exemplo, tem existido algumas preocupações nomeadamente por parte dos ambientalistas, por causa do ruído que fazem as turbinas, muitas vezes tem que se deitar abaixo pinheiros e vegetação das matas, há muitas aves que morrem, mas é um mal necessário porque há formas de compensar tudo isto. No caso do fotovoltaico não há qualquer manifestação, não há qualquer problema. No caso da biomassa, e uma forma de aproveitar os resíduos florestais, fazer uma limpeza das matas, andam pai a queimar matas andam pai, com a limpeza de matas para aproveitamento de biomassa evita-se muitos incêndios. O uso destas energias tem todas as vantagens possíveis.
Quanto ao consumidor, as energias oferecem benefícios do tipo, ninguém vive sem electricidade, sem aquecimento, sem conforto, não criando poluição é benéfico para todos

11) O governo apoia, financeiramente, as pessoas que adquirem?


Não há grande coisa. Este ano já se nota algo de novo, o que havia o ano passado, falando do consumo particular, havia um de benefício fiscal de 750€ mas era cumulativo com o empréstimo bancário, ora todas as pessoas que recorrem a empréstimo bancário para compra de casa absorve imediatamente toda esta verba e por conseguinte as energias renováveis não tinham qualquer lugar.
No orçamento de 2008 já foi previsto uma nova cláusula para apoiar os consumidores relativamente às energias renováveis.
Em termos de empresas, IVA favorável na instalação de energias quando a venda e de kits de 2%.

12) Já contactaram clientes com este tipo de instalação há algum tempo, no sentido de se inteirarem da sua (in)satisfação dos mesmos relativamente ao serviço?


Como instaladores, temos que dar uma garantia de 6 anos em todas as instalações que fazemos, isto veio acabar com aquele processo em que qualquer um instalava este tipo de energias, muitas vezes as pessoas nem reclamavam porque nem sabiam se estavam a ter lucro, hoje em dia a lei esclarece que quem faz instalações tem que ser qualificado, tem que ter uma garantia de 6 anos desde que haja um contrato de manutenção, para alem de que as pessoas estão melhor informadas sobre o assunto.
Os graus de satisfação são elevados, desde as primeiras instalações que fizemos. O ano de 2007 foi um ano excepcional de sol o que contribuiu para uma maior satisfação, muita gente teve um benefício de 80% 85% a media prevista anual e de 65% mas não quer dizer que este ano seja igual, pois não temos poder sobre o sol.
Não se prevê grandes mudanças neste ramo, porque o que esta em causa não e tanto a técnica mas sim a quantidade de sol que recebemos. Não temos conhecimento de que haja alguém insatisfeito com o nosso serviço.

terça-feira, 25 de Março de 2008

Energia Geotérmica



Fonte


Existe uma grande quantidade de energia sob a forma térmica contida no interior do planeta. Está é transmitida para a crosta terrestre sobretudo por condução. Esta representa uma potência de 10.000 vezes da energia consumida por ano no mundo actualmente.

Conversão: Alta Temperatura

Este recurso está geralmente associado a áreas de actividade vulcânica, sísmica ou magmática. A estas temperaturas (T>150ºC) é possível o aproveitamento para a produção de energia eléctrica.

Conversão: Baixa Temperatura

Resultam geralmente da circulação de água de origem meteórica em falhas e fracturas e por água residente em rochas porosas a grande profundidade com temperaturas inferiores a 100ºC.
O aproveitamento deste calor pode ser realizado directamente para aquecimento ambiente, de águas, piscicultura ou processos industriais.

Tecnologias

Nos processos geotérmicos existe uma transferência de energia por convecção tornando útil o calor produzido e contido no interior da terra. O aproveitamento também pode ser feito utilizando a tecnologia de injecção de água a partir da superfície em maciços rochosos quentes.
A utilização ideal da energia geotérmica é em cascata, a temperaturas progressivamente mais baixas, até cerca dos 20ºC (Diagrama de Lindal).
Actualmente existe também a utilização de ciclos binários na produção de energia eléctrica e de bombas de calor (BCG) no caso de utilizações directas.

Vantagens

- A energia contida no solo é grátis. Com a técnica da geotermia obtemos poupanças energéticas até 75%.
- Como a terra armazena constantemente uma grande quantidade de energia e a uma temperatura quase constante (seja de verão ou de Inverno de noite ou de dia) temos a garantia de funcionamento qualquer que seja a temperatura exterior.
É um sistema totalmente seguro porque a geotermia utiliza a energia natural da terra e a energia eléctrica para a transferir para a habitação. Dentro de casa, o circuito de aquecimento utiliza água. Assim não há líquidos inflamáveis, risco de explosão ou cheiros. A geotermia oferece segurança em todos os sentidos.
- Como não há combustão, este sistema é totalmente seguro e não tem manutenção específica.
- Este sistema é efectivamente gratuito. Existe em estado natural no solo, sendo renovado pelo efeito da chuva, do sol e do vento.
- Sistema praticamente invisível. Resolve o problema da climatização, águas quentes sanitárias e aquecimento de piscinas.
- O sistema não gera fumos, não liberta gases nem poeiras e não provoca dores nem ruídos. É 100% ecológico e amigo do ambiente. Não apresenta perigos para o Planeta e para o Homem.
- Não há sistema que melhor sirva as necessidades de espaços públicos como bibliotecas, museus, escolas e igrejas, pois pode estabelecer um programa de conforto para os dias e horas de funcionamento. Não há qualquer elemento que esteja à disposição dos utentes. Como não resseca o ar não provoca o envelhecimento prematuro dos materiais.
- Os custos de instalação do sistema geotérmico aproximam-se dos custos de uma climatização tradicional.

Estado em Portugal

- Actualidade

Em Portugal continental existem essencialmente aproveitamentos de baixa temperatura ou termais. Este pode ser dividido em duas vias:
- aproveitamento de pólos termais existentes (temperaturas entre 20 e 76ºC): exemplos disso são os aproveitamentos em Chaves e S. Pedro do Sul com cerca de 3 MWt a temperaturas de cerca de 75ºC a funcionar desde a década de oitenta.
- aproveitamento de aquíferos profundos das bacias sedimentares: caso do projecto geotérmico do Hospital da Força Aérea do Lumiar, em Lisboa, obtida a partir de um furo com 1.500m de profundidade com temperaturas superiores a 50ºC, a funcionar desde 1992.
Os aproveitamentos mais interessantes na área da geotermia são os realizados nas ilhas dos Açores. Só em S. Miguel (Centrais Geotérmicas de Ribeira Grande com 13 MWe e Pico Vermelho com 3 MWe) a energia produzida por esta fonte representou em 2003 cerca de 25% da electricidade consumida na Ilha, contribuindo a Central Geotérmica da Ribeira Grande com 85,4 GWh e a Central Geotérmica do Pico Vermelho com 3,5 GWh.
A contribuição máxima atingida pela fonte geotérmica foi de 35% durante o ano 2001.

- Futuro

A energia geotérmica constitui um recurso endógeno muito importante para os Açores, podendo ser atingidos nos próximos dez anos mais 30 MWe.
Existe também algum potencial de aproveitamento a baixa temperatura no Funchal, Ilha da Madeira.
Em Portugal continental o aproveitamento de pólos termais já existentes e das aplicações directas nas orlas sedimentares podem representar um potencial de cerca de 20 MWt.
Uma outra aplicação futura poderá ser a aplicação de Bombas de Calor Geotérmicas (BCG) reversíveis, que aproveitam o calor a partir de aquíferos ou das formações geológicas através de permutadores instalados no sub-solo, permitido utilizações de aquecimento e climatização, que poderá representar um potencial de 12 MWt.
Mesmo apenas tendo uma grande representatividade nos Açores a energia geotérmica tem um potencial bastante interessante a nível nacional, sendo necessário no futuro uma série de acções de informação, regulamentação e apoio desta fonte renovável de energia.

Energia Biomassa



Fonte

Através da fotossíntese, as plantas capturam energia do sol e transformam-na em energia química. Esta energia pode ser convertida em várias formas de energia: electricidade, combustível ou calor. As fontes orgânicas que são usadas para produzir energias usando este processo são chamadas de biomassa.
Incluí-se também nesta classificação os efluentes agro-pecuários, agro-industriais e urbanos. Os recursos renováveis representam actualmente cerca de 20% do fornecimento total de energia no mundo, com cerca de 14% proveniente de biomassa.
Podemos considerar várias fontes energéticas de origem natural neste capítulo:
- biomassa sólida;
- biocombustíveis gasosos;
- biocombustíveis líquidos.

Fonte: Biomassa sólida

Tem como fonte os produtos e resíduos da agricultura (incluindo substâncias vegetais e animais), os resíduos da floresta e das indústrias conexas e a fracção biodegradável dos resíduos industriais e urbanos.

Fonte: Biocombustíveis gasosos: biogás

Tem origem nos efluentes agro-pecuários, da agro-indústria e urbanos (lamas das estações de tratamento dos efluentes domésticos) e ainda nos aterros de RSU (Resíduos Sólidos Urbanos).

Fonte: Biocombustíveis líquidos

Existe uma série de biocombustíveis líquidos com potencial de utilização, todos com origem em "culturas energéticas":
- Biodiesel (éter metílico): obtido principalmente a partir de óleos de colza ou girassol, por um processo químico chamado transesterificação.
- Etanol: é o mais comum dos álcoois e caracteriza-se por ser um composto orgânico, incolor, volátil, inflamável, solúvel em água, com cheiro e sabor característicos. Produzido a partir da fermentação de hidratos de carbono (açúcar, amido, celulose), com origem em culturas coma a cana-de-açúcar ou por processos sintéticos.
- Metanol: os processos de produção mais comuns são de síntese a partir do gás natural, ou ainda a partir da madeira através de um processo de gaseificação.

Conversão: Biomassa Sólida

Quanto à biomassa sólida, o processo de conversão ou aproveitamento de energia, passa primeiro pela recolha dos vários resíduos de que é composta, seguido do transporte para os locais de consumo, onde se faz o aproveitamento energético por combustão directa.

Vantagens:

- Baixo custo de aquisição;
- Não emite dióxido de enxofre;
- As cinzas são menos agressivas ao meio ambiente que as provenientes de combustíveis fósseis;
- Menor corrosão dos equipamentos (caldeiras, fornos);
- Menor risco ambiental;
- Recurso renovável;

Desvantagens:


- Menor poder calorífico;
- Maior possibilidade de emissões de partículas para a atmosfera. Isto significa maior custo de investimento para a caldeira e os equipamentos de redução de emissões de partículas (filtros, etc.)
- Dificuldades no stock e armazenamento.

Conversão: Biocombustíveis gasosos: biogás

Como já referido a sua obtenção faz-se a partir da degradação biológica anaeróbia da matéria orgânica contida nos resíduos como efluentes agro-pecuários, da agro-indústria e urbanos, obtendo-se uma mistura gasosa de metano e dióxido de carbono (biogás), aproveitando o seu potencial energético através da queima para obtenção de energia térmica ou eléctrica.

Conversão: Biocombustíveis líquidos

Os biocombustíveis (biodiesel, etanol, metanol) podem ser utilizados na substituição total ou parcial como combustíveis para veículos motorizados.
No caso do biodiesel a sua utilização, com uma percentagem até 30%, é possível em motores de Diesel convencionais, sem alterações ao motor. Podendo ser utilizados com concentrações até 100% em motores especialmente preparados para o efeito.
O etanol ocupa um lugar de destaque no Brasil, com cerca de 43% dos veículos movidos a etanol. No entanto existem algumas desvantagens ainda não ultrapassadas na produção deste tipo de biocombustível:
- a queima da palha do canavial, que visa o aumento da produtividade, redução de custos de transporte tem consequências para o ambiente, ao libertar gás CO2, ozono, gases de nitrogénio e de enxofre (responsáveis pelas chuvas ácidas);
- a produção de efluentes do processo industrial da cana-de-açúcar, os quais devem ser tratados e se possível reaproveitados na forma de fertilizantes.

Tecnologias: Biomassa Sólida


Na recolha e transporte da biomassa são utilizadas diversas tecnologias mecanizadas dependendo da idade das árvores (2,5 ou 10 anos) ou do tamanho dos resíduos.
O seu armazenamento pode ser feito em pilhas curtas, pilhas longas, paletes, postes, montes de estilhas ou serrilha.
A tecnologia de estilhagem da madeira proporciona redução de custos tanto na recolha como no transporte.
As tecnologias de aproveitamento do potencial da biomassa sólida passam essencialmente pela queima em centrais térmicas com tecnologias como: de grelha fixa, móvel ou inclinada e de leito fluidizado (Liquefacção), ou centrais de cogeração para a produção de energia eléctrica e de água quente, ou ainda a queima directa (Combustão) em lareiras (lenha) para a produção directa de calor.

Combustão ou queima directa: Transformação da energia química do combustível em calor por meio das reacções dos elementos constituintes dos combustíveis com oxigénio (o ar ou o oxigénio são fornecidos além da quantidade estequiométrica).

Liquefacção: Processo de produção de combustíveis líquidos por meio da reacção da biomassa triturada em um meio líquido com monóxido de carbono em presença de um catalisador alcalino.

Tecnologias: Biocombustíveis gasosos: biogás

Para o aproveitamento do biogás, dependendo da sua fonte (suiniculturas, RSU, lamas) são aplicadas diversas tecnologias de aproveitamento deste potencial energético, finalizando quase todos na queima do biogás para obtenção de calor ou para transformação em energia eléctrica.

Digestão Anaeróbia-biogás: Conversão anaeróbia de compostos orgânicos pela acção de microorganismos. Para a produção de biogás (metano e gás carbónico) serve-se de microorganismos acidogénicos e etanogénicos.

Tecnologias: Biocombustíveis líquidos

- Biodiesel
Transesterificação: é um processo químico que consiste na separação da glicerina dos óleos vegetais para a obtenção do biodiesel (éster metílico). O processo inicia-se juntando o óleo vegetal (éster de glicerina) com álcool metílico (ou metanol) e ainda um catalisador (Sódio ou Hidróxido de Potássio) para acelerar o processo. Após a reacção obtém-se a glicerina (sub-produto muito utilizado na industria farmacêutica, cosmética e alimentar) e o éster metílico ou Biodiesel.

- Etanol
Fermentação: Conversão anaeróbia de compostos orgânicos pela acção de microorganismos, em grande parte dos casos, da levedura Saccharonyos cereviscae. No caso da fermentação alcoólica o substrato orgânico é a sacarose e os produtos são fundamentalmente o etanol e o gás carbónico.

- Metanol
Gaseificação: Aquecimento da biomassa em presença de oxidante (ar ou O2) em quantidades menores do que a estequiométrica, obtendo-se um gás combustível composto de CO, H2, CH4 e outros. Deste gás, utilizando-se catalisadores, pode-se obter o metanol.

Nos biocombustíveis líquidos as tecnologias para conversão em energia final são essencialmente as convencionais da indústria automóveis: motores de ciclo de Otto ou diesel onde é queimado directamente o biocombustível.

Estado em Portugal

- Actualidade: Biomassa Sólida

A floresta cobre cerca de 38% do território Português, estando distribuída essencialmente por: pinhal e resinosas - 1136,3 ha; montados - 1196,4 ha; soutos e carvalhais - 174,9 ha; eucalipto - 695,1 ha.
No entanto estes números não revelam o panorama actual do aproveitamento do potencial da biomassa florestal, que se traduz pelo quase "abandono" da floresta, sendo difícil quantificar o verdadeiro potencial energético deste recurso.
Outros entraves como a falta de equipamentos para sistemas de recolha apropriado, falta de uma estrutura do sector, falta de tratamento fiscal adequado (a biomassa, por ex., a lenha está sujeita a uma taxa de I.V.A. de 19%, ao contrário de outras fontes: gás natural 5%), receio dos proprietários e industriais da indústria da madeira, uma grande agressividade de sectores concorrentes como o do gás, têm originado uma estagnação do aproveitamento deste potencial.
Actualmente o potencial quantificável passa sobretudo pela biomassa florestal não havendo números para o sector agrícola, onde os resíduos da vinha, indústria do vinho, podas de olivais e árvores de frutos, do bagaço da azeitona, etc., poderão ter um interesse exploratório considerável.
Os quadros seguintes sintetizam quantidades indicativas de biomassa florestal de acordo com a proveniência, distinguindo a produção de biomassa florestal e a efectiva disponibilidade deste recurso energético, valores estes obtidos com base na informação disponível, cujos valores reais se pensa são algo superiores.

- Actualidade: Biocombustíveis gasosos: biogás

Actualmente existe em Portugal cerca de uma centena de sistemas de produção de biogás, na sua maior parte proveniente do tratamento de efluentes agro-pecuários (cerca de 85%) e destas cerca de 85% são suiniculturas.
Este aproveitamento que, para além de resolver os problemas de poluição dos efluentes, pode tornar uma exploração agro-pecuária auto-suficiente em termos energéticos. Os efluentes sólidos resultantes podem ser ainda aproveitados como adubo. O biogás representa actualmente cerca de 3% do consumo energético nacional.

Existem porém alguns constrangimentos que passam essencialmente por:
- Uma fraca aceitação do processo de digestão anaeróbia, com excepção do tratamento das lamas das ETAR's.
- Pouca relevância dada à valia energética dos projectos ambientais, avaliados essencialmente pela capacidade de tratamento.
- Baixa retribuição da energia eléctrica produzida a partir da digestão anaeróbia, prejudicando assim a amortização dos investimentos.
Alterações recentes aos tarifários poderão levar a uma maior implementação de projectos de aproveitamento de biogás.

- Actualidade: Biocombustíveis líquidos

No que respeita a utilização dos biocombustíveis líquidos em Portugal, apenas existem alguns projectos de utilização do Biodiesel em marcha, como o de alguns autocarros públicos em Lisboa, no entanto a percentagem de Biodiesel utilizada não vai além dos conservadores 10%.
Esta fraca produção e utilização deve-se a uma série de constrangimentos de caris não tecnológico:
- Escassez de terra disponível para a produção das culturas fonte, criando uma falta de matéria-prima, apesar de por vezes as culturas estarem condenadas a ficar na terra ou a irem para o lixo por falta de qualidade, quando o potencial energético poderia significar um lucro considerável.
- A baixa produtividade agrícola Portuguesa.
- Custo elevado da matéria-prima e do processamento industrial devido a baixa produtividade.
- Custo elevado na recolha e transporte da matéria-prima nos casos do aproveitamento dos resíduos florestais para a produção de etanol.
- Instabilidade dos preços.
- Acordos internacionais e europeus que limitam a produção e utilização dos subprodutos da cadeia de produção dos biocombustíveis.
- Custos elevados dos biocombustíveis, devido aos factores já enumerados, face aos combustíveis convencionais.
No entanto estão a ser tomadas medidas legislativas com vista ao cumprimento das Directivas Comunitárias sobre o Biodiesel.

- Futuro: Biomassa Sólida

Apesar das dificuldades em estimar com precisão o recurso biomassa, este poderá representar mais de 230 MWe de potência eléctrica até 2010, o que representaria cerca de 1,4 TWh/ano de energia eléctrica injectada na rede.
A meta do Governo situa-se actualmente na atribuição de 150 MW até 2010, tendo no início de 2005 aumentado o tarifário tarifa para a biomassa florestal em quase 39 por cento, ao passar de 72 Euros para 100 a 105 Euros por MWh, com objectivo de contribuir para alcançar os 39% de produção eléctrica com fontes renováveis e contribuir para a limpeza das florestas e reduzir o risco e incêndios.

- Futuro: Biocombustíveis gasosos: biogás

A aplicação de uma série de medidas específicas para as várias fontes de biogás (Agro-pecuário, ETAR's, e RSU), como tarifa verde, incentivos para o tratamento e utilização dos resíduos sólidos como fertilizantes, poderá fazer com que esta tecnologia represente um contributo importante na área do ambiente e na área energética, sendo possível atingir uma potência de 100 MWe em termos de potência eléctrica injectável na rede.
A potência atribuída pelo Governo é de 50 MW e a tarifa aumentou no início de 2005 em cerca de 28 por cento de 72 Euros por MWh para 100 Euros por MWh. Estas medidas, aliadas à construção de novos sistemas de ETAR’s e tratamentos de RSU, integrados em estratégias ambientais e conservação dos recursos hidrólogos, poderá potenciar novos empreendimentos de aproveitamento energético do Biogás.

- Futuro: Biocombustíveis líquidos

Dos vários biocombustíveis o biodiesel e o etanol poderão constituir uma alternativa aos combustíveis tradicionais. Para isto será necessária a aplicação de uma série de medidas de regulamentação da utilização, incentivos fiscais e financeiros, promoção da utilização destes biocombustíveis com misturas de combustíveis convencionais (etanol+gasolina, biodiesel+diesel), estratégia de produção da matéria-prima e de futuros nichos consumidores.
No início do ano de 2005 o Governo aprovou em Conselho de Ministros a isenção de imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) para os biocombustíveis, como medida de desenvolver este combustível verde e reduzir a dependência de Portugal face ao petróleo.
Esta medida foi impulsionada pela directiva comunitária sobre os biocombustíveis 2003/30/CE, estabelece que cada Estado membro da União Europeia deve assegurar que, até 31 de Dezembro de 2005, toda a gasolina e gasóleo utilizados nos transportes públicos incorpore 2% de biocombustível, devendo essa percentagem atingir os 5,75% em 2010.
A isenção de ISP foi um dos principais incentivos aguardados pelos agentes económicos interessados em desenvolver a fileira dos biocombustíveis em Portugal, uma vez que têm um custo adicional de produção mais elevado do que os combustíveis fósseis que os torna menos competitivos.
Está prevista para 2005 a entrada em laboração da primeira fábrica de biodiesel do país, num investimento de 25 milhões de euros, vai ser construída pela Iberol, Grupo Nutasa. A fábrica deverá ter uma capacidade de produção anual de cem mil toneladas de combustível e oito mil toneladas de glicerina para exportação.
No entanto actualmente a produção portuguesa de oleaginosas é insuficiente para a demanda prevista, devendo ser necessário recorrer, nesta primeira fase, à importação da matéria-prima, o que leva a uma nova dependência exterior. Para colmatar isto deverão ser tomadas medidas estratégias para o aumento da produção deste tipo de cultivos.

Projectos em Portugal

- Central Termoeléctrica de Mortágua (em funcionamento)
- Sistema Híbrido da Piscina do Torrão (Biomassa/Solar) (em funcionamento)
- Aquecimento através de Biomassa das escolas Concelho Vila Real (em funcionamento)
- Valorização energética de Biogás na ETAR da Ribeira de Colares (em estudo)
- Produção de electricidade e calor através do biogás do aterro de Sermonde (em estudo)
- Valorização do Biogás em Cogeração da ETAR de Abrantes (em funcionamento)

Energia dos Oceanos



Fonte

Existem várias formas potenciais de aproveitamento da energia dos oceanos: energia das marés, energia associada ao diferencial térmico (OTEC), correntes marítimas e energia das ondas.
Actualmente, a energia das ondas é uma das formas de energia dos oceanos que apresenta maior potencial de exploração, tendo em conta a força das ondas e a imensidão dos oceanos.
A energia das ondas tem origem directa no efeito dos ventos, os quais são gerados pela radiação solar incidente.

Conversão

A conversão de energia a partir das ondas apresenta claras semelhanças com a eólica. Dado que as ondas são produzidas pela acção do vento, os dois recursos apresentam idêntica irregularidade e variação sazonal.
Em ambos os casos extrai-se energia dum meio fluido em movimento e de extensão praticamente ilimitada.
A natureza ondulatória do mar (em comparação com o simples movimento de velocidade mais ou menos constante do vento) está na origem da maior complexidade de concepção de sistemas de conversão. Em compensação o recurso energético das ondas apresenta maior concentração espacial (numa camada de algumas dezenas de metros abaixo da superfície) do que a energia eólica.
Em ambos os casos, os sistemas de aproveitamento são modulares, com potências instaladas por unidade previsivelmente inferiores à dezena de MW.

Tecnologias

Actualmente existe uma substancial variedade de dispositivos e métodos de extracção de energia das ondas, ainda não havendo uma convergência para uma tecnologia dominante. No entanto podem-se distinguir dois grupos:
- sistemas na costa (ou próximos da costa);
- sistemas em águas profundas (offshore).

Tecnologias: Sistemas na costa

Normalmente localizados em águas pouco profundas (8-20 m), apoiados directamente na costa, ou próximos dela (possivelmente associados a obras de protecção costeira ou molhes portuários). São por vezes considerados de primeira geração, por serem praticamente os únicos que atingiram a fase de protótipo.
O sistema de coluna de água oscilante é o tipo mais bem sucedido. A tecnologia envolvida é relativamente convencional. A peça de equipamento mais específica é uma turbina de ar que acciona um gerador eléctrico. A central da ilha do Pico é deste tipo, tal como a igualmente recente central da ilha de Islay (Escócia).

Vantagens:

Os problemas de transporte de energia para terra e de acesso para manutenção são de relativamente fácil resolução.

Desvantagens
:

A localização depende dum conjunto de factores geomorfológicos favoráveis na vizinhança imediata da costa, e os bons locais para construção não abundam, assim como o impacte visual é significativo.

Tecnologias: Sistemas em águas profundas

Situados normalmente em profundidades de 25-50 m, por vezes designados de segunda geração. Têm sido estudados dispositivos muito variados, sem que pareça ter surgido um tipo que domine os restantes como o mais vantajoso e promissor. Em geral o órgão principal é um corpo oscilante flutuante ou, mais raramente, totalmente submerso. O sistema de extracção de energia pode ainda utilizar a turbina de ar, ou equipamentos mais sofisticados (sistemas óleo-hidráulicos, motores eléctricos lineares, etc.). O sistema AWS, com tecnologia essencialmente holandesa, é um dos raros que atingiram a fase de construção de protótipo.

Vantagens:

Estão menos dependentes das condições de costa, e (em longas séries ao longo da costa) são os mais adequados para o aproveitamento da energia das ondas em grande escala.

Desvantagens:

As dificuldades associadas à sua maior complexidade, transporte de energia para terra, amarração ao fundo e acesso para manutenção têm impedido que o seu grau de desenvolvimento atingisse o da coluna de água oscilante e impacto dos sistemas offshore está associado a interferências com a navegação e pesca.

Estado em Portugal

- Actualidade

A energia que chega à costa ocidental portuguesa (500 km) é de cerca de 120 TWh/ano (em águas profundas). A conversão de apenas 1% desta energia em energia útil (substancialmente aquém do que é tecnicamente viável) produziria 1,2 TWh/ano, o que (para um factor de carga de 0,25) corresponderia a uma potência instalada de 550 MW. A contribuição dominante seria naturalmente de sistemas offshore.
As zonas costeiras portuguesas (em especial a costa ocidental do continente e as ilhas dos Açores) têm condições naturais entre as mais favoráveis em qualquer parte do mundo para o aproveitamento da energia das ondas: recurso abundante (cerca de 25-30 kW/m média anual), plataforma continental estreita (inexistente nos Açores) (ou seja águas profundas na proximidade da costa), consumo e rede eléctrica concentrados junto à costa do continente.
Em termos de I&D, Portugal é um dos países pioneiros (actividade desde a década de setenta) e com maior impacto (por exemplo em termos número de publicações e de participação e coordenação de projectos europeus). Dos três grandes projectos europeus actuais com construção de protótipos, liderou um (ilha Pico) e participou nos outros dois (LIMPET, ilha de Islay, Escócia, e AWS, Viana do Castelo). Portugal liderou a elaboração do Atlas Europeu de Energia das Ondas, referente ao recurso em águas profundas (offshore), estando em fase de finalização o Atlas Nacional de Ondas que descreve o recurso junto à costa do continente.
Para além destas instituições, e numa perspectiva mais lata, existe substancial capacidade técnica em Portugal na área do mar, nomeadamente engenharia costeira, portuária e naval. A engenharia offshore é uma área de menor capacidade nacional (em comparação com alguns países do norte da Europa).
No entanto existem uma série de barreiras ao desenvolvimento deste tipo de energia renovável:

- A passagem da fase de ensaios em laboratório para a demonstração com protótipo em mar real é fortemente dispendiosa, requer uma longa preparação e envolve riscos de vária ordem.
- O desenvolvimento dum sistema do tipo em questão, passando pelo projecto construção e operação de protótipo, até ao limiar da comercialização, requer a participação e coordenação duma equipa multidisciplinar, envolvendo empresas e instituições de I&D. Existe pouca experiência e tradição de empreendimentos deste tipo em Portugal.
- A escassa experiência portuguesa em tecnologia offshore pode implicar uma forte dependência de tecnologia estrangeira no desenvolvimento de sistemas offshore de segunda geração.

- Futuro

Portugal é hoje um dos países que dominam a tecnologia das centrais de coluna de água oscilante e respectivo equipamento incluindo a conversão por turbina de ar. Uma oportunidade próxima é a construção prevista na Foz do Douro duma central, basicamente do mesmo tipo, integrada numa obra de protecção costeira. É de referir que a tecnologia da coluna de água oscilante, associada a estruturas fixas, tem sido considerada particularmente adequada para sistemas mistos de energia das ondas e eólica offshore, e que há sistemas offshore em desenvolvimento (Japão, Irlanda, Reino Unido) que utilizam turbinas de ar.
O desenvolvimento de sistemas de energia das ondas offshore mais dificilmente poderá ser efectuado no País sem a participação de parceiros estrangeiros, por exigir maior esforço financeiro, comportar maiores riscos, e ainda por ser escassa entre nós a experiência em tecnologias offshore. A localização na costa portuguesa do protótipo AWS em fase final de construção é uma oportunidade para Portugal se associar, com o envolvimento de empresas e instituições de I&D nacionais, ao desenvolvimento desta tecnologia offshore.
Mais geralmente, as condições naturais da costa portuguesa, as tarifas especiais estabelecidas para a energia das ondas e a existência de capacidade tecnológica específica nacional tornam Portugal um país particularmente interessante como base para a demonstração de tecnologias de energia das ondas (incluindo sistemas offshore), sendo de incentivar para isso a constituição de consórcios com participação nacional significativa.
Até cerca de 2003-2004 é de prever a existência de três protótipos (um já existente, outro em fase final de construção e outro planeado) com a potência total de cerca de 3 MW. Na fase seguinte de replicação, e até cerca de 2007-08, pode-se prever a instalação de cerca de 20-30 MW repartidos por um pequeno número de centrais de coluna de água oscilante em obras de protecção costeira (com potências unitárias de cerca de 0,5-1 MW), e um ou mais conjuntos de sistemas offshore com potências unitárias da ordem de 3-5 MW. A partir desta data e até 2010, e admitindo que as tecnologias actualmente em desenvolvimento (e eventualmente outras) terão então atingido a fase de comercialização, as perspectivas podem exceder 50 MW de potência instalada.

Energia Hídrica



Fonte


É a energia proveniente do movimento das águas. Ela é produzida por meio do aproveitamento do potencial hidráulico existente num rio, utilizando desníveis naturais, como quedas de água, ou artificiais, produzidos pelo desvio do curso original do rio.

Conversão

O movimento da água é utilizado em barragens para produzir electricidade. A água presa nos reservatórios passa pela turbina criando energia mecânica que é transformada em electricidade pelo gerador.
É necessário que haja um grande fluxo de água para que a energia seja gerada de forma contínua no tempo.

- As barragens são lagos artificiais, construídos num rio, permitindo a geração contínua e constante de energia.
- As turbinas hidráulicas são conectadas a um gerador eléctrico, o qual é ligado à rede de energia. Contudo, também podem ser usadas para geração de energia em pequena escala, para as comunidades isoladas.
- Os moinhos de água são aqueles que fazem uso da água corrente (energia hidráulica).
Quando chove nas colinas e montanhas a água concentra-se em rios correntes que se deslocam para o mar. O movimento ou a queda da água contém energia cinética que pode ser aproveitada como fonte de energia.

Tecnologias

O aproveitamento deste recurso energético está normalmente associado a empreendimentos de grandes dimensões, as chamadas barragens hidroeléctricas ou grande hídrica. Este tipo de exploração por vezes não é enquadrado nas energias renováveis uma vez que pode ter alguns impactes negativos no meio ambiente e no ecossistema fluvial.
Para potências iguais ou inferiores a 10 MW é possível definir uma exploração como minihídrica, que ao invés da exposta anteriormente tem menores impactes ambientais.

Estado em Portugal

- Actualidade

Em Portugal, o potencial de aproveitamento de energia minihídrica está distribuído por todo o território nacional, com maior concentração no Norte e Centro do país.
O Decreto-Lei n.º 189/88 de 27 de Maio abriu a actividade de produção independente de energia eléctrica a pessoas singulares ou colectivas públicas ou privadas, com o limite de 10 MW de potência instalada. Desde então até 1994 foram licenciados 120 empreendimentos de utilização de água para produção de energia. Destes 120 até a data apenas 44 estão em funcionamento, representando um total de 170 MW de potência instalada e uma produção de 550 GWh/ano.
Tendo em conta as antigas concessões, 34 minihídricas com uma potência total de 30 MW e 100 GWh/ano, e ainda 20 do SENV (Sistema Eléctrico Não Vinculado-Grupo EDP) com 56 MW e produtividade de 165 GWh/ano, o total de aproveitamento minihídrico situa-se actualmente em 98 centrais que correspondem a 256 MW de potência instalada e uma produção 815 GWh/ano.
No entanto nos últimos anos tem vindo a ser muito reduzido o número de candidaturas, isto devido a vários factores como:
- dificuldades nos processos de licenciamento, onde intervêm uma série de entidades diferentes sem coordenação entre elas.
- dificuldades na ligação à rede eléctrica por insuficiências da mesma.
- a falta de critérios objectivos para a emissão de pareceres das diversas entidades.
- restrições ambientais, em certos locais com potencial exploratório o impacte ambiental ou a legislação podem inviabilizar estes projectos.
- a falta de recursos humanos face ao número de pedidos, leva a que os processos se tornem morosos.

- Futuro

Apesar de ser difícil estimar o potencial de exploração minihídrica existente é possível apontar para valores perto dos 1.000 MW, dos quais entre 500 e 600 MW são concretizáveis em poucos anos (até 2010), com uma produção média entre 1.500 e 1.800 GWh/ano.
No entanto, para isto será necessário uma série de medidas de forma a ultrapassar os actuais constrangimentos já referidos.
Entre as várias medidas necessárias é fundamental:
- melhor articulação entre os vários organismos intervenientes nos processos de licenciamento.
- eliminação de indefinições relativas às competências legais na área de gestão do recurso hídrico.
- definição de critérios operacionais de conciliação dos condicionamentos ambientais.
- certificação dos promotores e consultores.
- adequar os meios humanos dos organismos licenciadores.

Desvantagens

- A construção de centrais hidroeléctricas geralmente exige a formação de grandes reservatórios de água, o que provoca profundas alterações nos ecossistemas.
- Dependendo do tipo de relevo e da região onde se encontra o empreendimento, as hidroeléctricas podem também ocasionar o alagamento de terras e o deslocamento de populações ribeirinhas.

Impactos e Problemas

Por muito tempo a energia hídrica foi considerada uma fonte limpa de energia. No entanto, ela acarreta uma série de consequências ambientais em função do alagamento de grandes áreas.
Construir uma barragem pode implicar remover cidades inteiras, desalojar pessoas, capturar animais, acabar com florestas e sítios históricos, que ficarão submersos. Após os impactos iniciais, a energia seria limpa, mas a decomposição da biomassa inundada emite gás metano e polui a água com o excesso de matéria orgânica. O desmantelamento antecipado da área a ser inundada pode evitar esses tipos de impactos.
Além disso, a construção de uma barragem é mais cara que algumas energias e muito demorada. Muitas vezes o curso natural do rio é alterado em função das áreas a serem alagadas, causando interferência nos ciclos naturais, reprodução e dispersão de peixes e outros animais aquáticos.
Actualmente, o impacto da construção de barragens tem sido cada vez mais fiscalizado por organizações não governamentais, associações de populações desalojadas e pela sociedade como um todo. Como consequência, muitos projectos de barragens estão atrasados por falta de licenciamento ambiental.

Vantagens

- A energia é produzida a partir de uma fonte contínua, neste caso, o movimento da água.
- Não polui o meio ambiente.
- Baixíssimo custo de produção.

Energia Eólica



Fonte: o Vento


O vento resulta do deslocamento de massas de ar, derivado dos efeitos das diferenças de pressão atmosférica entre duas regiões distintas e é influenciado por efeitos locais como a altitude e a rugosidade do solo.
Essas diferenças de pressão têm uma origem térmica estando directamente relacionadas com a radiação solar e os processos de aquecimento das massas de ar.
Entre 1 a 2% da energia proveniente do sol, é convertida em energia eólica.
As regiões do equador, latitude 0º, são aquecidas pelo sol mais do que as restantes zonas do globo. O ar quente é mais leve que o ar frio, pelo que sobe até uma altura aproximada de 10 km e estende-se para norte e para sul.
A energia cinética do vento também é uma fonte de energia e pode ser transformada em energia mecânica e eléctrica. Um barco à vela usa a energia dos ventos para se deslocar na água. Esta é uma fonte de produzir energia através do vento.
Podemos classificar os ventos nos seguintes tipos:
- ventos globais;
- ventos de superfície;
- ventos locais.


Fonte: Ventos Globais

O vento que sobe desde o Equador para os pólos, o qual circula pelas camadas mais altas da atmosfera, por volta dos 30º de latitude. Nessa latitude encontra-se uma zona de altas pressões, pelo que o ar começa a descer de novo.
Quando o vento sobe desde o Equador origina uma zona de baixas pressões perto do solo o que atrai ventos do norte e do Sul. Nos pólos, devido ao ar frio, são originadas zonas de altas pressões.

Fonte: Ventos de Superfície

Os ventos são muito influenciados pela superfície terrestre até altitudes de 100 metros. O vento é travado pela rugosidade da superfície da terra e pelos obstáculos.

Fonte: Ventos Locais


Apesar da importância dos ventos locais na determinação dos ventos dominantes numa determinada área, as condições climatéricas locais podem influenciar as direcções do vento. A direcção do vento é influenciada pela soma dos efeitos globais e locais. Quando os ventos globais são suaves, os ventos locais podem dominar o regime de ventos:

Brisas marinhas
: durante o dia a terra aquece mais rapidamente pela influencia do sol que o mar. O ar sobe e circula para o mar, criando uma depressão ao nível do solo, que atrai o ar frio do mar. A isto chama-se brisa marinha. Normalmente ao entardecer há um período de calma, quando as temperaturas do solo e do mar se igualam. Durante a noite, os ventos sopram em sentido contrário, tendo a brisa terrestre, normalmente, velocidades inferiores, uma vez que a diferença entre a temperatura do solo e do mar é mais pequena.

Ventos da montanha: um exemplo é o vento do vale o qual tem origem nos declives orientados a sul. Quando os declives e o ar próximo deles está quente, a densidade do ar diminui, e sobe pela superfície do declive. Durante a noite, a direcção do vento inverte-se, passando a descer o declive. Se o fundo do vale dor inclinado o ar pode ascender e descender pelo vale, este efeito tem o nome de vento canhão. Alguns exemplos importantes deste fenómeno são: o Fhon dos Alpes, Chinook das Montanhas Rochosas, o Mistral do Vale do Rhone e o Sirocco da Sahara.

Conversão: em Energia Mecânica

A energia eólica tem sido aproveitada desde a antiguidade para mover os barcos impulsionados por velas ou para fazer funcionar a engrenagem de moinhos, ao mover suas pás. Nos moinhos de vento a energia eólica era transformada em energia mecânica, utilizada na moagem de grãos ou para bombear água.

Conversão: em Energia Eléctrica

Na actualidade, utiliza-se a energia eólica para mover aerogeradores – grandes turbinas colocadas em lugares de muito vento. Essas turbinas têm a forma de um catavento ou um moinho. Esse movimento, através de um gerador, produz energia eléctrica. Precisam agrupar-se em parques eólicos, concentrações de aerogeradores, necessários para que a produção de energia se torne rentável, mas podem ser usados isoladamente, para alimentar localidades remotas e distantes da rede de transmissão.

Desvantagens:

- nas proximidades dos parques eólicos é detectada poluição sonora, devido ao ruído produzido. Há também quem considere que sua silhueta afecta a paisagem. Tem sido estudada, recentemente, a hipótese de construção de parques eólicos sobre plataformas ancoradas no mar, não muito longe da costa, mas situadas de tal forma que não incidem de forma excessiva sobre a paisagem.
- os lugares mais apropriados para sua instalação coincidem com as rotas das aves migratórias, o que faz com que centenas de pássaros possam morrer ao chocar contra as suas hélices.
- os aerogeradores não podem ser instalados de forma rentável em qualquer área já que requerem um tipo de vento constante mas não excessivamente.

Estado em Portugal


- Actualidade

Em Portugal, o primeiro parque eólico foi criado em 1988 em Santa Maria (Açores), mas actualmente a distribuição destas centrais abrange quase todo o território nacional com aproximadamente 1.131 MW de potência instalada até Fevereiro 2006, 106 parques eólicos e 703 turbinas eólicas.
No entanto só nos últimos 5 anos, inicialmente com o Programa Energia e mais recentemente com o Programa E4, é que se criaram algumas condições para o desenvolvimento real deste tipo de energia.
Cerca de metade dos parques eólicos (48%) em Portugal são parques pequenos, com potências entre 1 a 10 MW. 31% dos parques têm uma dimensão média, com potências entre 10 a 25 MW%. Apenas existe um parque eólico com potência superior a 50 MW.
O recurso energético eólico “onshore” disponível em Portugal estima-se nos 4.800 MW, tendo em conta um cenário de restrição ambiental moderada.
Apesar deste potencial, existiram uma série de barreiras que contribuiu para o fraco desenvolvimento da energia eólica em Portugal:
Com a implementação de medidas como a MAPE do Programa E4, e recentemente, em Maio 2005, com o anúncio do concurso que irá atribuir cerca de 1.700 MW, pretende-se chegar aos 4.500 MW até final da década, contribuindo de uma forma essencial para a meta dos 39% de produção de energia eléctrica com fonte nas ER.

- Futuro

Tendo em conta a necessidade do cumprimento da Directiva Comunitária respeitante ao acordo de Quioto, que impõe como meta 39% de produção de energia eléctrica com base nas energias renováveis até 2010, assim como as recentes medidas de apoio, como a remuneração da energia produzida para níveis perto do praticado nos países Europeus, prevê-se a instalação de cerca de 4.500 MW de capacidade de geração em energia eólica.
Até Fevereiro de 2006 estavam licenciados mais 2.789 MW de energia eólica, o que, tendo em conta o tempo de licenciamento actual (>2 anos), poderá elevar a potência instalada de eólica em 2007 até os 2.000 MW.
É ainda necessária a centralização dos processos de licenciamento em apenas um único organismo, que coordenaria e teria a cargo todo o procedimento administrativo, de forma a diminuir os prazos de implementação dos projectos os quais, actualmente, rondam os 2 a 4 anos.
A energia eólica mostra-se como uma das fontes renováveis com maior potencialidade e maior desenvolvimento futuro, não apenas pelas metas estabelecidas, mas também pelo interesse que desperta nas entidades e empresas o desenvolvimento de projectos de grande envergadura e visibilidade, além do retorno financeiro bastante atractivo.